Nome do personagem: Louise
Titulo da história: A lenda em volta do halloween de wis
História:
¹
O dia era 31 de outubro de 2022. Durante todo o dia, a cidade de Wisland, carinhosamente apelidada de "Wis" estava em festa. O tradicional evento de Halloween, festividade histórica e motivo de orgulho dentre todos os habitantes estava começando. Aos poucos, aldeões, nômades, guerreiros e forasteiros chegavam para a festividade. Wisland estava belíssima. Abóboras dos mais variados tamanhos nas portas das casas, falsos cadáveres cobertos de sangue estirados em diversos pontos da cidade, morcegos pendurados em fiações e telhados, ossos e esculturas de criaturas demoníacas, bandeirolas temáticas... Alguns postes estavam com as lâmpadas estilhaçadas e cheias de gosma verde. Um verdadeiro espetáculo criado para assustar até a criatura mais corajosa. Um mapa de todo o perímetro da festividade foi disponibilizado para que os presentes não se perdessem em meio à grande cidade. O banco (depot) de Wis, local mais movimentado da cidade, era o coração da festa. Estava enfeitado cuidadosamente com bandeirinhas pretas, cada uma com uma criatura em seu centro, uma mais horripilante que a outra. Haviam mágicos fantasiados de múmias apresentando números que haviam em suas "mangas" para todos os espectadores. Garçons vampiros com presas enormes e as bocas manchadas de sangue serviam poções mágicas, cada qual com uma lenda envolta dela.
16h00 da tarde. Icarus era o responsável por "abençoar" os habitantes e os eventos de todo o continente. Visivelmente embriagado, ele sobe ao palanque que foi montado exclusivamente para o festejo e desfere algumas palavras.
- Senhoras e senhores, visitantes e habitantes, meu muito obrigado por todos
estarem aqui neste dia especial. Estou muito feliz pelo dia de hoje! Grato por deixarmos nossas diferenças de lado para podermos celebrar como irmãos. Nesta data especial, celebramos pelos mortos, mas gosto de pensar que estamos celebrando nossa própria mortalidade. Para mim, a mortalidade não deveria ser encarada com medo e indiferença, mas sim, com orgulho e gratidão. Ela nos faz refletir. Nos faz aproveitar ao máximo esta experiência divina chamada vida. Aproveitem o evento, foi feito com carinho para todos vocês. É sempre uma honra recebê-los.
Icarus entrega o microfone e desce do palco cambaleando. Claramente o álcool não o fazia bem porém, tinha o poder de tornar seus discursos mais "afiados". Sob esse pretexto, era comum vê-lo alcoolizado em diversos eventos.
²
Pela manhã e começo da tarde, Hellen e Celeste trabalharam arduamente em toda a arrumação do local (Os habitantes sempre ajudavam voluntariamente em prol dos eventos da cidade). Ao final da tarde, ambas foram para as suas casas com o intuito de se produzirem e tornar-se "horripilantemente belas" aos olhos da comissão julgadora do concurso de fantasias.
18h45 da tarde. Após horas se arrumando, ambas ficam prontas e, juntas, retornam ao local da festividade. Todo o ambiente estava incrível. Era notável o cuidado em deixar a luz da lua, que estava cheia, iluminar a cidade. Para causar espanto, 80% dos postes da cidade estavam apagados e foram colocadas lâmpadas amareladas nos restantes, que acendiam e apagavam a cada três minutos de forma aleatória. Pequenos alto-falantes foram instalados em pontos estratégicos para que pudesse ser produzido sons aterrorizantes, como: latidos de cães, zumbidos de fantasmas, sons de lobisomens, risadas histéricas e sussurros. Esses sons oscilavam entre altos e baixos, calmos e raivosos.
As abóboras estavam iluminadas com luzes verdes, que também oscilavam.
Os olhos de Hellen estavam brilhando. - Que fantástico.
- Você sempre tem razão minha cara irmã bruxa. disse Celeste, com risadas.
As duas caminhavam observando atentamente cada detalhe da arrumação e das fantasias dos que ali estavam presentes.
Uma pessoa fantasiada de fantasma que passava por elas disse: - Uol, adorei a fantasia de vocês.
- Obrigado meu caro amigo fantasma... ou seria minha cara? se perguntou Hellen
- O barato das fantasias é esse. perguntar-se qual o gênero do espirito maléfico. hahaha, disse Celeste.
Hellen nomeou-se de "bruxa sombria". Sua fantasia consistia em uma longa saia, em um tom azul escuro e um top franzido com mangas longas, todo em preto fosco. Usava uma cinta amarelada que possuía em sua fivela lâminas de um machado, coladas nos lados de um cristal azul brilhante. Para causar a ilusão de óptica de estar flutuando, o "pé" do vestido foi cortado milimetricamente em tiras, para que à medida em que Hellen se movimentasse, a impressão aumentasse. A ambientação e luminosidade do local contribuíam para tal feito.
Lápis de cor azul brilhante no canto de seus olhos e um batom levemente roxo em sua boca. Hellen estava vestida com um capuz preto fosco, que se unia à parte do ombro de seu top. O capuz cobria seus cabelos e testa e chegava até seu nariz, deixando à vista apenas seus olhos, boca, maxilar e bochechas. Um cabo de madeira marrom, que em seu topo possuía lâminas de um machado coladas em um cristal azul brilhante de tamanho médio formavam seu "bebê machado", que era como ela o havia apelidado.
- Você está deslumbrante, irmã. Disse Celeste.
- Você está igualmente bela, irmã. Retrucou Hellen.
Celeste estava igualmente fantasiada de bruxa, porém, era uma bruxa mais colorida, mais "clara". Sua saia cortada em tiras possuía a cor roxa. Usava um baby look cinza escuro, com uma capa azul escura que ia de suas costas até a parte de frente de seus ombros. A fivela de seu cinto era uma caveira. Lápis roxo ao redor dos olhos e batom azul escuro. Seu cajado consistia em um cabo marrom com uma grande caveira com chifres em forma de espiral no topo.
- Vou buscar uma "poção" para a gente.
- Boa ideia. Pegue-as e depois vamos até o cemitério de Wis. Vamos checar
se a antiga lenda é verdadeira. Temos tempo até o concurso começar. disse Hellen.
Celeste volta com as bebidas temáticas.
- De que são feitas? Hellen pergunta.
- Deve ser uma receita guardada à sete chaves. Celeste responde.
- No caminho a gente descobre à partir do gosto. Vamos.
Ambas saem para irem ao cemitério.
³
O cemitério de Wis ficava no extremo sul da cidade, um pouco afastado do local onde os festejos estavam acontecendo. Hellen e Celeste caminhavam atentando-se à toda a arquitetura da cidade. Não demorou muito e elas chegaram a passagem que dava a saída sul. Tratava-se de uma muro de pedras brancas com uma única passagem sem portões. elas foram saída à fora e logo no início do percurso se depararam com uma pequena floresta. Havia uma quantidade enorme de árvores mortas que pareciam terem sido postas por ali recentemente. O chão estava coberto por uma grama levemente amarelada, significando que a grama estava em processo morboso. Haviam grandes aberturas de terra fofa em determinados pontos do relevo, coloradas por um intenso marrom. Na área dessas terras, inúmeras lápides ornamentavam o lugar.
A energia daquele local era assombrosa. Nuvens acinzentadas estavam por todo o céu, impedindo a luminosidade da lua. Hellen e Celeste processavam de forma lenta tudo o que havia naquele lugar.
Celeste cruza os braços. - Que frio é esse? Acho melhor nós voltarmos, Hellen. O concurso deve estar próximo de começar.
Hellen aponta seu machado para Celeste. - Não me diga que você está
amarelando... ainda nem entramos no cemitério.
- Como assim? você pretende mesmo descer até lá?
Apesar de ser bastante apropriado, aquele local funcionava apenas como uma espécie de mausoléu, o verdadeiro cemitério encontrava-se no subterrâneo. O acesso se dava por conta de uma escada parcialmente escondida numa das lápides centrais.
- Vamos, Celeste. já estamos aqui, que mal teria?
- Afinal, o que você quer fazer lá, Hellen?
- Eu ouvi falar sobre uma lenda. Ela reaparece todo halloween. dizem que todo o dia 31 de outubro, seres sobrenaturais voltam à vida e reúnem-se em algum lugar do cemitério de Wisland. Agora... o que eles fazem por lá, é uma incógnita. respondeu Hellen.
- Acredita nisso? perguntou Celeste, que não acreditava na história, porém, achava estranho todas aquelas circunstâncias.
- Eu acredito no que os meus olhos podem ver, e nesse momento eu quero ir lá ver. Vem. Já estamos aqui.
- Já vi que não vou fazer você mudar de ideia. Então vamos para voltarmos rápido. O concurso já deve começar
As duas saem em direção à lápide para descerem ao subterrâneo.
⁴
Hellen e Celeste descem a escada com cuidado. O local estava praticamente apagado, tudo que dava luz eram pequenos candelabros instalados com o intuito de guiar os coveiros que por ali trabalhavam. Celeste gira a caveira que havia em seu cajado revelando um espaço secreto. Nele havia uma pequena tocha (torch), ela a acende imediatamente. A luz do local foi parcialmente reestabelecida.
- O que eu faria sem você. disse Hellen.
- Estaria em apuros. Celeste ri.
Elas observam o local cuidadosamente. Haviam ossos jogados em diferentes cantos da sala, algumas aranhas, flores mortas, lápides quebradas e várias outras coisas as quais elas não conseguiam identificar.
- Que sinistro. Celeste, vamos andando.
Ambas caminham em linha reta seguindo a pequena e apagada trilha que havia na terra. A medida que iam se afastando da entrada da cripta, o odor dos ossos, terra e insetos se intensificava. O cheiro era tão forte que forçava-as à prender a respiração por alguns momentos.
- Não há nada aqui, Hellen. Esse fedor vai nos matar.
Hellen observa um pequeno buraco com uma escada logo à sua frente. - Antes vamos ao -2. Se não houver nada por lá, voltamos.
Era visível que Celeste não queria estar ali. Para ela, aquilo era coisa de louco, entretanto, seu afeto pela amiga falava mais alto e ela se via forçada a segui-la.
Após mais alguns passos, as duas chegam ao buraco que dava acesso ao andar -2. cuidadosamente, para evitar machucados, elas descem.
⁵
Havia um grande acumulo de terra nos sapatos de ambas. A sala estava menos iluminada que a anterior. A tocha que estava em uma das mãos de Celeste estava se apagando, o que contribuía para que aquela situação se tornasse cada vez mais desconfortável.
Hellen, que começara à concordar que aquilo havia sido uma má ideia, resolve acatar o pedido de Celeste de ir embora.
- Vir aqui foi uma péssima ideia, vamos embora.
- Concordo. Felizmente é história para ser contada enquanto tomamos chá.
Antes que as duas pudessem reagir, um clarão verde brilhante aparece aos
fundos da sala, desaparecendo em seguida.
- Você viu aquilo? perguntou Hellen, desacreditada.
O clarão reaparece, desaparecendo em seguida.
- De novo. Vamos sair daqui, Hellen. Estou começando a ficar assustada. respondeu Celeste
- É a nossa chance de tirarmos a prova dos nove. Vamos até lá com cuidado. Vem. Hellen caminha de forma sorrateira, encostando-se nas paredes da sala.
Celeste não estava confiante com aquela situação. Tudo que sua mente
conseguia pensar era em sair correndo. Ela segue Hellen, tomando cuidado para não tropeçar.
Hellen, que havia saído na frente, se aproxima do local. Uma pequena passagem aberta separava ela da luz verde, que agora estava acessa de forma contínua.
Ela se aproxima de uma das paredes entre a passagem e fica ali, escondida.
Celeste chega em seguida, ficando atrás da outra parede.
Hellen aproxima seu rosto cuidadosamente até a passagem para poder observar o que esta acontecendo. Imediatamente, ela fica boquiaberta. Ela não estava crendo no que estava vendo. Como um culto macabro, haviam inúmeras criaturas dentro da sala. Ghouls, Skeletons, Mummys, Ghosts. Todas estavam ajoelhadas, e/ou prestando continência para um ser enigmático, que estava de costas para as criaturas.
Hellen volta sua cabeça para trás da parede. - Você tá vendo aquilo? ela sussurra para Celeste
Celeste movimenta sua cabeça com cuidado para observar, voltando logo em seguida. O medo à possuía totalmente.
- Precisamos sair daqui, Hellen. Celeste sussurra.
- Hoje, 31 de outubro, celebramos o nosso dia. O dia em que nossa força sobrenatural é conjurada ao ápice. Hoje, meus irmãos, sairemos cidade à fora rumo a dominação mundial. Só descansaremos após o total exterminio da raça humana. Nossa soberania está à um passo de ser conquistada! disse a criatura enigmática
Novamente, Hellen volta sua cabeça para a passagem para observar.
O ser enigmático se vira e Hellen pôde finalmente vislumbrar quem era aquela pessoa. Ela suspira sem acreditar. Icarus, grande figura de Wisland estava por trás de tudo aquilo.
Mas porquê? ela se perguntava. Por qual motivo uma pessoa como ele estava envolvida com seres sobrenaturais?
- Você não entenderia. Diz uma voz em suas costas. Hellen se vira e vê Celeste nocauteada no chão. Um golpe é desferido em sua cabeça fazendo-a desmaiar imediatamente.
⁶
Acorda, Hellen. suplicava Celeste, abanando seu rosto com um lenço.
Hellen aos poucos abre os olhos, respirando com dificuldade. Uma aglomeração de pessoas fantasiadas de monstros estavam ao seu redor aparentando preocupação. Hellen grita assustada.
Ao perceber a situação ela pergunta - O-oque houve?
- Nós bebemos as poções mágicas e segundos depois você desmaiou. Você tem alergia à algum ingrediente específico? perguntou Celeste preocupada.
- Tenho alergia à morangos, mas nunca contei isso à ninguém. ela responde.
- O composto das nossas bebidas temáticas é à base de pequenos pedaços de morango. Alguém respondeu ao fundo.
- Vai ficar tudo bem. Diz Celeste, um druida já examinou você. Não houve nada grave.
- E o concurso de fantasias? Quem ganhou? Pergunta, curiosa.
- Assim que você desmaiou tudo foi cancelado.
- O que??? Hellen se levanta enérgica. Pessoal, vamos retomar as festividades, não aconteceu nada de mais. Viva nossa cultura! Grita para todos os presentes.
Era o retorno da alegria, dos mistérios, e da imersão.
A magia do halloween é assim, não é para ser revelada e sim comemorada!